Vereadores de Jataizinho são criticados pela população

A grande maioria dos vereadores de Jataizinho tem recebido críticas da população. Numa de suas últimas edições, a revista Época fez uma extensa matéria analisando a vida política da cidade e chegou a conclusões que remetem à reflexão.

Para se ter uma ideia, todos os vereadores são de legendas diferentes. Portanto, há nove partidos políticos disputando espaço na Câmara Municipal. Nas ruas, a população reprova o trabalho dos políticos locais. Uma reclamação comum é que os legisladores gastam mais tempo discutindo questões pessoais do que projetos para o município.

O presidente da casa, vereador Maurílio Martielho, o Bidu, do PSD, constantemente vem atacando o prefeito Dirceu Urbano Pereira, do PSC, inclusive em questões pessoais. Na reportagem de Época, Bidu teria dito que o prefeito precisa parar de beber. Segundo ele, “há 60 dias foi internado em Ibiporã e na semana passada, de novo. Tem problemas de diabetes, toma remédio e ainda se perde no álcool. Bebe cerveja a ponto de dormir no carro”. Bidu ainda criticou as constantes viagens à Curitiba. Em Jataizinho, o Presidente da Câmara pode ser reeleito e Bidu vai continuar no cargo de presidente por mais dois anos.

Segundo Dirceu, que no ano passado perdeu seu vice-prefeito, vítima de um acidente automobilístico (Fabio de Morais Polônia), “desde que assumi, querem me cassar. O Bidu quer ser prefeito”, disse. Ele insinua que há uma tentativa de golpe em gestação em Jataizinho. “Como ele (Bidu) tem a maioria na Câmara e depois de dois anos é eleição indireta, já está garantindo o dele. A antecipação da escolha dos dirigentes da Câmara é um passo para cassação de meu mandato no ano que vem”, afirmou.

Jataizinho tem pouco mais de 12 mil habitantes. Os moradores reclamam da sujeira, da violência, da falta de assistência hospitalar e educacional e opções de entretenimento. Cidade-dormitório, tem uma praça central, uma igreja e idosos jogando baralho o dia inteiro. A prefeitura possui quase 500 servidores públicos. Os vereadores ganham cerca de R$ 4.250, mensais para participarem de uma reunião semanal, com duração média de duas horas.
O Prefeito Dirceu Urbano – salário bruto de R$ 15.310, – enfrenta dificuldades para governar. No cotidiano, Dirceu tem de negociar com nove vereadores, representantes de nove partidos diferentes, motivados por interesses pessoais, acima dos coletivos.

A dissidência entre os dois poderes em Jataizinho começou em janeiro, quando o Prefeito se negou a pagar as gratificações devidas a quatro vereadores que haviam ficado afastados dos cargos por três meses, durante o ano de 2015. O valor reclamado pelos parlamentares soma R$ 54 mil. Eles eram suspeitos de improbidade administrativa devido a contratação de uma empresa de informática, além da quebra de decoro parlamentar por irregularidades para a eleição da Mesa Executiva e ofensas a outros vereadores e ao prefeito anterior, Élio Duque (PDT). Um dos investigados é Bidu, atual presidente da Câmara.

Ele esteve ao lado do atual prefeito Dirceu Urbano nas últimas três eleições, mas a recusa em pagar a gratificação abalou a relação. Também são ex-investigados Jorge dos Santos Pereira, o Jorginho (PPS) e Alex Antônio Gomes de Faria (PRB). Ambos exercem mandados atualmente. Jorginho apoia o Prefeito. Em troca é favorecido nas áreas em que atua, sobretudo a saúde. O quarto investigado, Clóvis da Silva Cordeiro, o Clovinho (PTB), deixou a política e se mudou da cidade.

Ao lado do prefeito, além de Jorginho, estão os vereadores Cícero Aparecido Guimarães, o Gordo (PDT), Laércio Fernandes Quitério (PR) e Antônio Laércio dos Reis (PSC), partido do Prefeito. Porém, por serem minoria e com medo da reprovação popular, eles não votam com o prefeito. Todos os projetos recentes discutidos na Câmara foram aprovados por unanimidade. Entre as propostas mais frequentes estão lombadas nas ruas, recapeamento de buracos, pedidos para pintar muros e trocar lâmpadas. Quando a proposta é mais complexa, o prefeito veta “por perseguição política”, reclama o vice-presidente Adir Leite (PCdoB).

Recentemente, o Executivo rejeitou proposta de Claudinei Cabral, o Dim Dim, (PV) para compra de uma ambulância e contratação de um motorista e dois socorristas. Jataizinho só tem um hospital, particular e, grande parte das urgências médicas é encaminhada para Ibiporã, a 9 quilômetros de distância. O Prefeito alegou falta de recursos. No fim, não adianta ser oposição ou situação. O município está perdido em meio à disputa política.

Os vereadores dão o troco nos projetos sugeridos pelo Prefeito. No ano passado, Dirceu Urbano, que foi presidente da APAE por 16 anos, quis aumentar o repasse para a entidade, de R$ 3 mil para R$ 8 mil mensais. Os vereadores questionaram como seria gasto a verba e pediram detalhamento do impacto no orçamento. No final, reprovaram o projeto. Mesmo assim, o Prefeito levou adiante, via decreto. O temor dos vereadores é a saúde fiscal da cidade, que gasta acima do limite estabelecido pela LRF. “Desse jeito não tem como fiscalizar. O prefeito precisa cortar gratificações, cargos comissionados, aluguéis e carros andando à toa”, diz Bidu – o mesmo que rompeu com o prefeito por causa da falta de pagamento de uma gratificação.

Até questões pessoais tem sido motivo de debates na Câmara. Um caso, envolvendo os vereadores Cícero Guimarães e Alex Faria (que é halterofilista), acabou em sopapos. O caso ficou em deixa disso e nada aconteceu, embora Guimarães tenha sido atendido num pronto socorro.

A briga do momento é um automóvel Vectra, ano 2001. O carro consumiu R$ 11.267, em manutenção em 2017 e mais R$ 13 mil entre janeiro e março de 2018. O veículo vale pouco mais de R$ 15 mil. Segundo Bidu, os carros da Prefeitura gastaram cerca de R$ 160 mil com peças. O Prefeito Dirceu Urbano reconhece o gasto elevado do Vectra.

Rebate ao afirmar que três vereadores gastaram R$ 22 mil em uma única viagem para Brasília, durante a última Marcha dos Prefeitos. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI do Vectra, vai apurar o caso. Já existem cinco CPIs abertas contra o Executivo.

Com certeza, nessa briga, quem tem a perder é o município de Jataizinho que, ao invés de se unir para resolver seus problemas, engalfinham-se e se perdem em questões pessoais e de disputa por espaço político.

(Esta matéria foi baseada em reportagem de Luís Lima, publicada pela Revista Época, Editora Globo, edição de 25/06/2018. Fotos de Roberto Custódio. Agência O Globo).

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