Prostitutas e putarias
Zezé, o analfabeto social, não faz falta. Nem à programação natalina do SBT, nem ao Brasil democrático. Já foram feitas fogueiras vivas, sendo corriqueiro ser chamadas de vadias, vacas, rameiras, quengas, burras, sem vergonha, limitadas, imbecis. Putas é corriqueiro.
Quando querem exibir melhor vocabulário, trocam as putas pelas prostitutas. Mais erudito. Foi o que fez o velho e desafinado cantor sertanejo Zezé de Camargo, que viu como “prostituição” o exercício de comando democrático de seis gestoras, as donas do SBT. Sucessoras do pai, o inesquecível Silvio Santos.
Putaria! Deve ter dito o Zezé no recôndito do seu lar, onde vive com a atual esposa e uma das filhas – mulheres, subalternas. Gente que sabe o seu lugar de respeitar a autoridade do pai, do marido.
Perdeu o sono e injuriou-se ao ver reunidos, na festa de inauguração do canal de notícias do SBT, o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, o governador e prefeito de São Paulo, Tarcício de Freitas e Ricardo Nunes, representantes de partidos e ideologias distintas. Prostitutas e putarias.
Em vídeo, definiu o encontro das autoridades de diferente perfil político como traição, desrespeito e “prostituição” das sucessoras de Silvio Santos. Não usaria os mesmos termos com o pai das moças.
Silvio Santos, que amou e confiou nas filhas e na mulher, deve ter se orgulhado da reação delas.
Depois da misoginia exposta no vídeo de Zezé, as donas do SBT suspenderam a exibição do programa natalino, já gravado pelo cantor (desafinado, diga-se de passagem).
Mas a agressão às mulheres Abravanel fica na história do pequeno cantor e da televisão brasileira. Zezé (que é Mirosmar no batismo), pai de três filhas, é só mais um dos machistas presos à sua misoginia, que desqualificam e (até) matam mulheres.
Hoje, arrastar, atropelar e esmagar são novas modalidades no extermínio de mulheres que, de tanto praticado, tem figura jurídica e nome: feminicídio.
Morrem pelas mãos de homens assassinos. Muitos deles que, um dia, foram amados por mulheres. Elas morrem porque homens e mulheres ainda não aprenderam a repelir e condenar homens, como Mirosmar e suas putarias. Um dia xingam, desqualificam. No outro, batem. Depois, matam.
Zezé de Camargo conseguiu ampliar a própria crise. Há um ditado que diz: “Quem muito fala, dá bom dia a cavalo”. Poderia ter ficado quieto.

