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Trump avisou: Quer o petróleo. O resto é conversa fiada

“O mundo se tornou muito mais perigoso hoje do que era ontem”, afirma
Ricardo Noblat sobre a intervenção militar dos EUA na Venezuela.
A recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, para a captura
de Nicolás Maduro, não é apenas um evento isolado, mas um sinal claro enviado a
toda a América Latina. Historicamente tratada como o “quintal” dos norte-america
nos, a região volta a ser alvo de uma postura intervencionista que Donald Trump
sequer tentou dissimular.
Embora o governo Trump tenha utilizado o combate ao narcotráfico como
pretexto inicial, a realidade dos fatos aponta para uma motivação muito mais prag
mática: o controle das maiores reservas de petróleo do mundo. Ao declarar aberta
mente que pretende “administrar a Venezuela” e reconstruir sua indústria petrolífera
para o benefício de empresas americanas, Trump deixou clara sua real intenção de
intervir diretamente nas riquezas do país.
A facilidade com que a operação ocorreu — com o Maduro sendo capturado
em apenas 47 segundos — sugere que os militares venezuelanos o entregaram “de
mão beijada”. No entanto, o perigo reside no precedente internacional. Se os EUA
podem intervir na Venezuela sob o pretexto de “não querer vizinhos hostis”, o que im
pediria a Rússia de resgatar o domínio sobre a Europa Central ou a China de tomar
Taiwan? O mundo torna-se, assim, um lugar muito mais perigoso e radicalizado.
Para o Brasil, o aviso é direto. Como um país que mantém uma notável
independência e não é um aliado incondicional, o Brasil está sob vigilância. Noblat
recorda que Trump já tentou interferir em assuntos internos brasileiros ao exigir a
suspensão do julgamento de golpistas do 8 de janeiro em troca de concessões tari
fárias. O questionamento que fica é: se o resultado das urnas brasileiras nas eleições
de 2026 não agradar Washington, o Brasil seria o próximo alvo?
A posição do governo brasileiro, que condenou a intervenção, foca na defe
sa da soberania nacional venezuelana e não na figura de Maduro. Embora Maduro
tenha se tornado um ditador após eleições comprovadamente fraudadas, isso não
justifica uma intervenção externa. Problemas internos de uma nação devem ser re
solvidos por seu próprio povo.
Por fim, causa espanto a rapidez com que líderes da direita brasileira, co
mo Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Flávio Bolsonaro, saíram em apoio à ação de
Trump. Ao aplaudirem uma intervenção militar estrangeira em um país vizinho, esses
políticos demonstram um preocupante alinhamento com práticas que ignoram as leis
internacionais e a própria democracia.
A intervenção na Venezuela mal começou, mas seus efeitos na estabilidade
global e na autonomia da América Latina já sinalizam tempos de profunda incerteza.